Como era o Rosto de Jesus

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Em 27 de Março de 2001 foi divulgada pela BBC de Londres a notícia de uma pesquisa feita com a ajuda de sofisticados computadores, e com a coordenação de Richard Neave (um dos maiores especialistas em reconstituição facial) – um estudo para redescobrir o rosto mais importante da história, o rosto de Jesus.
Para realizar este estudo Neave se baseou em um crânio de um israelense do primeiro século (retirado de um antigo cemitério, perto de Jerusalém) .

Para realizar a reconstituição, o crânio foi submetido a uma tomografia que proporcionou imagens tridimensionais que por sua vez serviriam de base para fazer um novo crânio (com material sintético). Com o molde, a face do contemporâneo pode ser delineada, e o resultado foi um rosto nada similar as figuras e ícones tradicionais do cristianismo, o que para muitos é difícil de aceitar.

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A respeito da seriedade do estudo, e do sensacionalismo da mídia, é importante dizer que a tentativa forense possui limitações. Questões como a cor da pele e dos olhos, forma e tamanho do cabelo e certas cartilagens exteriores são frutos exclusivos do especialista, o que tornou o resultado parcialmente artístico e não cem por cento científico – como se supõe.
Vale lembrar que Neave usou um crânio qualquer, de um judeu que supostamente teria vivido nos tempos de Cristo, e mas ainda que assim o seja, o crânio usado como modelo pôde muito bem ter sido o crânio de uma pessoa como Barrabás, Pedro, Judas, enfim, qualquer um dos contemporâneos de Cristo. Isto por si só, desfaz a conclusão que temos, de que essa seria a reconstrução exata do rosto de Jesus. A não ser que aceitemos a tese (nada coerente) de que todos os judeus do tempo de Cristo eram extremamente parecidos entre si, quase como irmãos gêmeos uns dos outros, algo que é completamente sem sentido.

formacao_consagracao-ao-sagrado-coracao-de-jesus.jpgA maioria de nós, ocidentais (independente da religião que professamos), idealizamos o Cristo como um homem meigo, quase feminino: cabelos lisos, pele clara, olhos claros e lábios finos, um rosto aceitado por todos, o mais belo retrato masculino na visão ocidental. Este padrão de retrato é baseado na família real francesa “Luis XIV” (que era um padrão de beleza na época). O quadro azul (à esquerda) foi fruto de uma visão tida pela religiosa francesa Marguerite Marie Alacoque, que viveu entre 1647 e 1690.

warner-sallman-head-of-christ.jpgAs igrejas e todas as demais organizações religiosas sempre usaram a arte para se aproximarem de seus fiéis, e para isso tiveram sempre os mais renomados artistas, de todas as escolas, de todas as épocas, trabalhando em seus templos e catedrais, e até mesmo em quadros clássicos, como o quadro de Cristo, pintado por Warner Sallman (1941), ao lado direito.

Circula pela internet uma suposta carta escrita em latim por um certo Publius Lentulus, que descreve a fisionomia de Jesus. Este suposto autor seria um oficial romano da Província da Judeia, no tempo de Tiberius Cesar. O núcleo principal do documento é este:

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Contudo, existem motivos para se duvidar da autenticidade do mesmo. Em primeiro lugar, não existe na história nenhum governador de Jerusalém ou procurador da Judeia chamado Publius Lentulus – o único com esse nome registrados em documentos romanos viveu no primeiro século, antes de Cristo. Além disso, um procurador romano não escreveria cartas para o senado como parece ver na introdução, mas diretamente para o imperador. E mais, algumas expressões usadas no texto como “profeta da verdade”, “filhos dos homens” e “Jesus Cristo” não seriam jamais típicas de um escritor romano. São idiomatismos do hebraico tomadas diretamente do novo testamento.

ccristodebarba.pngCuriosamente até o fim do quinto século praticamente não ocorreram representações artísticas da cruz e da crucificação. Os primeiros cristãos pareciam um pouco inclinados a destacar visualmente a morte humilhante do Filho de Deus preferindo ao invés disto retratá-lo em vida, como Amigo, Senhor e Protetor. Mas, note que a partir dos tempos bizantinos começa-se a explorar mais as feições do próprio Cristo, como podemos ver no desenho ao lado do quarto século, pintado na catacumpa de Comolila em Roma. No entanto estas imagens foram refutadas, com base nas palavras de Irineu de Leão, do segundo século (possível discípulo de Policarpo, que por sua vez foi discípulo do Apóstolo João) e de Agostinho de Hipona (quinto século), que afirmaram categoricamente que toda imagem de Jesus era herége.

Se atentarmos às páginas da Bíblia Sagrada notaremos que em nenhuma parte das Escrituras está oferecido o que poderia ser um retrato exato ou falado de Cristo. Porém, se aliarmos a sua leitura às informações históricas e arqueológicas disponíveis, é possível encontrar ali algumas poucas, porém razoáveis possibilidades.
Em primeiro lugar, temos a informação de que Jesus Cristo, embora tenha nascido em Belém da Judeia, foi criado na Galiléia. Em outras palavras ele era inquestionavelmente semita, e os que habitavam no sul do Mediterrâneo eram predominantemente distintos dos gregos e romanos, pela cor azeitonada de suas peles, pelos olhos tremendamente negros, pelos cabelos escuros, pelo nariz arqueado e também por uma estatura mediana. Precisamos compreender que Jesus de Nazaré foi um carpinteiro, um ofício que ele aprendeu trabalhando com o seu pai, José. O trabalho manual envolvia duro esforço, e não apenas a fabricação de móveis (como muitos supõem), mas também o corte de pedras e madeiras para uso em construção de casas, pontes e outros edifícios. Por isso, as mãos de Cristo deveriam ser bem calejadas, e o seu físico bem musculoso devido ao esforço físico requerido no trabalho manual. Só o fato de Jesus conseguir carregar uma cruz por um bom tempo depois de uma noite inteira de torturas e sofrimentos demostra uma incrível força muscular.

Apesar de sua boa saúde, a expectativa de vida de um homem (pobre da classe trabalhadora) naquela época era de 35 a 40 anos, devido aos rigores do trabalho pesado as doenças e o calor do deserto. Por causa destes fatores a aparência de Jesus provavelmente seria de um homem mais velho do que pensaríamos em relação a alguém de nossos dias com seus 20 ou 30 anos de idade.

Dr. Rodrigo Silva
(Particularmente eu Renato discordo desta afirmação, mas decidi colocar para fins de registro histórico contado por um arqueólogo)

Alguns interpretam Isaias 53 como um registro da fisionomia de Jesus. Mas esta é uma interpretação errônea, pois este capítulo relata o momento da crucificação (depois de ter sido torturado a noite toda, sem dúvida o seu rosto já não era tão agradável).

Jesus, sendo homem feito, deveria ter a barba deveria ser bem cheia, e não tão aparada como vemos em algumas representações artísticas, pois a lei judaica proibia aos homens de apararem os pelos da face (Levítico 19:27).

Em termos de temperamento, Jesus deveria ser uma pessoa muito carismática, pois até as crianças que não tinham na época as mesmas liberdades das crianças de hoje, se sentiam à vontade para se achegar até Ele. O mesmo se pode dizer de mulheres que não ousariam a se dirigir a um homem comum em público. Porém, se o momento exigisse Jesus poderia se tornar um homem enérgico, como daquela vez que ele pegou um chicote e expulsou os vendedores do templo. Em outras situações, Ele poderia ser melancólico, e chorou em alguns momentos (como na morte de Lázaro). Algo interessante em tudo isso, é que Jesus não temia demostrar emoções, ele ria quando necessário, chorava, se preciso fosse, e admitia o medo que estava sentido, como no Getsêmani. Ele não era falso em seus sentimentos, ele viveu o seu mais exato grau da sua realidade humana.

Talvez o motivo pelo qual o Senhor não permitiu que a descrição do seu Filho Jesus não fosse documentada nas escrituras é para que um dia, nós (igreja), espelhássemos a sua imagem, não com traços, mas com ações. Aquelas mesmas ações de Jesus, que estão tão ricamente registrada nas Escrituras Sagradas.
Que sejamos nós o seu corpo.

P.s.: Eu não falei nada sobre o Sudário Turim porque realmente não vela a pena.

 

Fontes:

 

 

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