Teolog – Bibliologia

A palavra Bíblia

A palavra Bíblia entrou para as línguas modernas por intermédio do francês, passando primeiro pelo latim bíblia, com origem no grego biblos (folha de papiro do século XI a. C preparada para a escrita).
Um rolo de papiro tamanho pequeno era chamado “biblion” (no Grego), e vários destes era uma “Bíblia”. Portanto “Bíblia” quer dizer coleção de vários livros.

 

Sua criação

No princípio, os livros sagrados não estavam reunidos uns aos outros como os temos agora em nossa Bíblia. O que tornou isso possível foi a invenção do papel no séc. II pelos chineses, bem como a invenção do prelo de tipos móveis, em 1450 A. D. por Gutenberg, tipógrafo alemão. Até então tudo era manuscrito como ocorria anteriormente com os escribas.
Com a invenção do papel desapareceram os rolos e a palavra biblos deu origem a “livro” como se vê em biblioteca (coleção de livros).
A primeira pessoa a aplicar o nome “Bíblia” foi João Crisóstomo, grande reformador e patriarca de Constantinopla, 398-404 A. D.

 

Seus escritores

Cerca de 40 personagens se envolveram no registro e compilação dos 66 livros que compõem a Bíblia Sagrada (1 Ts 2:13; 1 Pedro 1:20-21). Os escritores viveram distantes uns dos outros (11 países diferentes), em épocas e condições diferentes, não se conheceram, pertenceram às mais variadas camadas sociais, e tinham cultura e
profissões muito diferentes.

Foram das mais diferentes categorias (19 ocupações diferentes):
Escritores, estadistas, camponeses, reis, vaqueiros, pescadores, cobradores de impostos, instruídos e ignorantes, judeus e gentios.

Segue alguns Exemplos:
– Legislador (Moisés)
– General (Josué)
– Profetas (Samuel, Isaías, etc.)
– Reis (Davi e Salomão)
– Músico (Asafe, compôs 12 Salmos)
– Boiadeiro (Amós)
– Estadista (Daniel)
– Sacerdote (Esdras)
– Coletor de impostos (Mateus)
– Médico (Lucas)
– Erudito (Paulo)
– Pescadores (Pedro e João)

São aproximadamente 50 gerações de homens.
Eram homens de boa reputação e mente brilhante. Muitos deles foram cruelmente perseguidos e mortos pelo testemunho que mantiveram.
Não ficaram ricos pelas profecias que deram. Longe disso. Muitos empobreceram. O (possível) autor dos cinco primeiros livros da Bíblia escolheu viver uma vida terrivelmente pesada e de lutas ao serviço de Deus em oposição à vida milionária que ele poderia ter tido como o filho do Faraó.
Muitos escritores da Bíblia fizeram escolhas semelhantes. Suas motivações certamente não foram convencionais nem financeiramente vantajosas. Eles não eram homens perfeitos, mas eram homens santos. As vidas que eles viveram e os testemunhos que deram e as mortes de que morreram deram forte evidência de que estavam dizendo a verdade.

 

Tipos de Escrita

Cada escritor manifestou seu próprio jeito de escrever (idiossincrasia), seu estilo e características literárias. A Bíblia possui aproximadamente 10 estilos literários diferentes:
– Poéticos (Jó, Salmos, Provérbios)
– Parábolas (Evangelhos sinóticos)
– Alegorias (Gálatas 4)
– Metáforas (Gênesis 6:6; Êxodo 15:16; Deuteronômio 13:17; 2 Coríntios 3:2-3)
– Comparações (Mateus 10:1; João 21:25;  Tiago 1:6)
– Figuras poéticas (Jó 41:1)
– Sátiras (Mateus 19:24)
– Figuras de Linguagem (Salmos 36:7)

 

Tempo de Escrita

Demoraram cerca de aproximadamente 1600 anos para escrever os 66 livros.
1491 a. C., quando Moisés (teve a visão do passado) começou a escrever o Pentateuco, no meio do trovão no monte Sinai, até 97 d. C., quando o apóstolo João (teve a visão do futuro), ele mesmo um “filho do trovão”, escreveu seu evangelho na Ásia Menor.

Entretanto, há na Bíblia um só plano ou projeto, que de fato mostra a existência de um só Autor divino, guiando os escritores. A Bíblia é um só livro. Tem um só sistema doutrinário, um só padrão moral (expressão da autoridade de Deus), um só plano de salvação, um só programa das eras.
As diversas narrativas ali encontradas dos mesmos incidentes e ensinamentos não são
contraditórias, mas suplementares. Não há em todo o seu conteúdo uma só contradição, e um livro sempre dá continuidade ou complementa o outro, apesar das condições em que foram escritos.

A Bíblia é a coleção das exatas palavras dos 66 livros que constituem o seu CÂNON (cânon significa autoridade, regra de fé. O cânon está fechado, não há mais nenhum livro inspirado).

Bíblia é composta:

24 livros no cânon judaico do Antigo Testamento (equivalentes aos nossos 39 livros, o mesmo que hoje é chamado de “Texto Massorético de Ben Chayyim” e que, depois da invenção da Imprensa, foi impresso por Daniel Bomberg, um abastado cristão veneziano originário da Antuérpia, em 1524-5. A edição da segunda publicação ficou a cargo de Jacob Ben Chayyim);

27 livros os do cânon do NT (os mesmos que, depois da invenção da Imprensa, foram impressos, terminando por serem conhecidos pelo nome de TR, ou “Textus Receptus”, isto é, “O Texto Recebido”).

O nome “massoretas” se refere aos rabinos judeus surgidos aproximadamente no ano 100 d.C. que conservavam e transmitiam o texto bíblico. Eles substituíram os escribas. Faziam anotações às margens do texto, chamadas massorah. Eles incorporaram os sinais vocálicos ao texto hebraico (que não possui vogais), entre o 5o e 6o séculos.

 

CONTINUA…

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